segunda-feira, 17 de maio de 2010

Tragédia: música, imagem e sonho X Apolíneo e Dionisíaco

Proposta de atividades produção de texto .

1. Leia a música “Ouro de tolo” de Raul Seixas e faça uma interpretação da letra e o que ela representa.

Eu devia estar contente

Porque eu tenho um emprego

Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros
Por mês...

Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso
Na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar
Um Corcel 73...

Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado
Fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa...

Ah!
Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa...

Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado...

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...

Ah!
Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco...

É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal...

E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social...

Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...

Ah!
Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...


Você deve ter percebido que Raul Seixas usou a linguagem da música representando algo. Leia sobre o período de 1973, o que acontecia na história do Brasil na época. O que motivou o cantor a fazer essa música? A quem diretamente a música dirigia? Qual imagem ele tinha do povo brasileiro? Qual seria realmente a intenção e a finalidade dessa letra? Baseado nas leituras e no seu conhecimento de mundo. Produza um pequeno texto com sua opinião sobre a música. LEMBRE-SE QUE SUA CRITICA SERÁ LIDA NO PROGRAMA DA RÁDIO COMUNIDADE ESCOLAR NA SEXTA -FEIRA.

[1] Uma canção começa a ser interpretada pelo seu titulo: Ouro de tolo (1973) se trata de é um mineral muito semelhante com ouro, se chama pirinita, seria no sentido figurada conquistas inúteis. Porém o cantor não se referia apenas nisto, Raul Seixas dava o seu grito de alerta, aos brasileiros diante do seu conformismo em aceitar esse sistema capitalista visando o consumismo exacerbado., o cantor ironiza diante da vida, ou seja, se rebela contra a acomodação do ser humano, renega e ironiza a vida pacata de um cidadão contribuinte que quer mais muito mais, embora o país passasse por um período conturbado , o militarismo.


2. Gustavo, aluno do 9° ano, de religião protestante, se mostra curioso pela repercussão que o filme sobre Chico Xavier tem provocado na população em geral e as discussões oriundas do pensamento espírita conceituado na comunicação dos mortos com seus parentes através de cartas psicografadas. Contrariando os conceitos religiosos que prega a sua doutrina religiosa e de sua família foi ao cinema e assistiu o filme. Observando que a maioria das pessoas que estavam no cinema, muitas professa do cristianismo ficaram extremamentes emocionadas com os relatos da história do médium Chico Xavier, resolveu escrever uma texto sob os pontos de vista contrários entre a igreja protestante e o espiritismo. O grande problema é que a família dele muito conservadora o proibiu de fazê-lo. Por isso, você terá que se colocar no lugar de Gustavo, produzir uma peça teatral que discuta essa temática. Para isso, pesquise sobre o assunto, elabore falas para as personagens da peça que serão duas apenas Gustavo e Você. Na peça Gustavo defenderá o ponto de vista do protestantismo e você terá que defender o Espiritismo num enfoque Kardecista. Depois apresente a peça para os alunos da classe.



3. Leia a poesia “Ismália” de Alphonsus Guimaraens e faça uma interpretação literária com foco na linguagem figurada.

Ismália




Quan/do Is/má/lia em/lou/que/ceu,
Pôs/-se/ na/ tor/re a/ so/nhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava perto do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

Alphonsus de Guimarães



Obs.: O poema parece um texto poético destinado ao público adulto, embora não tenha sido concebido originalmente para o público infantil. "Ismália" é para ser apreciada por gente de todas as idades. Não por acaso, atraiu olhares de pequenos e de adultos no Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, em 2001. também nesse mesmo ano, "Ismália" entrou no volume "Os cem melhores poemas brasileiros do século", organizado por Italo Moriconi para a editora Objetiva.

[1] Poema de 5 estrofes com 4 versos cada, com rimas alternadas. COM 7 SÍLABAS MÉTRICAS. Numa leitura possível, a personagem-título enlouquece e se suicida. Quanto ao aspecto gráfico-formal, encontramos, nas primeiras 4 estrofes, sempre nos versos 3 e 4 , um verbo que se repete: viu/viu; queria/queria; estava/estava; queria/queria. A repetição serve para acentuar idéias contrastantes, já que em cada um desses versos está presente um substantivo, um verbo, um complemento que exprime oposição: céu/mar; subir/descer; perto/longe; subiu/desceu. Destes, a oposição céu/mar é constante nas 5 estrofes. Na primeira estrofe, o poema narra o enlouquecimento de Ismália que, à janela da torre, (representação metonímica) viu a lua a espelhar-se no mar ("Viu uma lua no céu, Viu outra lua no mar") . Na segunda estrofe, a loucura ("sonho") leva-a a debruçar-se mais para fora da janela ("Banhou-se toda em luar") ( metáfora)e ter desejos conflitantes - a lua do céu e a lua do mar, (antítese) como se estivesse entre duas escolhas. Na 3ª estrofe, já delirando ("no desvario seu") ela começa a cantar; na 4ª, é sugerido que Ismália estendeu os braços para 'voar'(metáfora) ("... como um anjo pendeu/ As asas..."); na 5ª e última estrofe, a imagem torna-se ambígua: as "asas" dadas por Deus são seus braços, ou se referem à alma que voou para o céu? Esse "resumo" exposto é apenas uma interpretação. Quando lido e relido atentamente, outras possibilidades se apresentam. A "loucura" de Ismália é também comparada (comparação) a um sonho: "No sonho em que se perdeu". A 'loucura' é assim vista de forma poética, não agressiva, e nem necessariamente negativa: aproximando "loucura" e "sonho" (antítese), o poeta pode estar sugerindo que a loucura é um estado fora do ordinário, do comum da vida, como é o estado do sonho. Sonhamos dormindo, ou mesmo acordados, quando imaginamos alguma coisa ou situação.