quarta-feira, 14 de abril de 2010

Intertextualidade: Gestar II Língua Portuguesa

Intertextualidade é definido como "diálogo" entre textos. para se construir esse diálogo infere-se uma prática de leitura, ou seja, precisa-se de preencher requisitos como: Entender e conhecer um universo cultural, Conhecer obras e trechos de obras de domínio público, ou seja conhecido por muitos leitores, Em cada situação, a intertextualidade tem funções diferentes que dependem dos textos/contextos em que ela é inserida.


Teresinha de Jesus

Temas Infantis


Terezinha de Jesus

Deu uma queda
Foi ao chão
Acudiram três cavalheiros
Todos de chapéu na mão.



O primeiro foi seu pai
O segundo seu irmão
O terceiro foi aquele
Que a Tereza deu a mão.



Da laranja quero um gomo
Do limão quero um pedaço
Da morena mais bonita
Quero um beijo e um abraço.



Quanta laranja madura
Quanto limão pelo chão
Quanto sangue derramado
Dentro do meu coração.



Terezinha levantou-se
Levantou-se lá do chão
E sorrindo disse ao noivo
Eu te dou meu coração.


Paródia-Terezinha - Chico Buarque


O primeiro me chegou
Como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia
Trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens
E as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio
Me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada
Que tocou meu coração
Mas não me negava nada
E assustada eu disse não.

O Segundo me chegou
como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente
Tão amarga de tragar
Indagou o meu passado
E cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta
Me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada
Que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada
E assustada eu disse não.

O Terceiro me chegou
Como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada
Também nada perguntou
Mal sei como ele se chama
Mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro
Dentro do meu coração.


É sabido que o primeiro texto é conhecido da maioria das pessoas, principalmente as mais velhas, por se tratar de uma cantiga de roda, em voga em períodos em que a eletricidade, televisão e a internet não haviam se apoderado das nossas brincadeiras de rodas e empobrecido nossas noites de luar. Nesse interim, segundo Bortone “Terezinha de Jesus” caracteriza-se pelo ocultamento do aspecto sexual da mulher e apresenta-se como uma canção infantil de roda. É só observarmos que qualquer pessoa canta a canção sem fazer inferências ao complexo de castração, ao envolvimento amoroso edipiano etc., haja vista que a construção poética, e os seus dêiticos não fazem com que um leitor comum faça um binômio entre as brincadeiras infantis X os elementos sexuais que permanecem ocultos na cantiga. Um leitor descuidado não consegue prever as “entrelinhas de um texto de temática sensual porém, infantilizada”.

No entanto, como enfatiza Bortone, as informações subentendidas são patenteadas na paródia de Chico Buarque de Holanda, que nomeia o descerramento da linha tênue que perpassa a maturidade sexual da mulher, individualizadas pela ignota afinidade edipiana que contempla com o pai e com o irmão.

Quando o leitor adulto ler a paródia de Chico Buarque percebe-se-ão a alusão ao comportamento masculino e feminino no jogo da conquista. Mesmo para um leitor leigo as correlações com o universo masculino e feminino se tornam até cômicas. Chico vai situando o leitor ou ouvinte da canção divinamente na voz da cantora Maria Bethânia. E assim vai indicando ciclos na canção parodiada.

Para Bortone, a canção de Chico Buarque configura a relação sexual madura e verdadeiramente erótica. O poeta vai criando pistas no decorrer da música/poesia para o desvendamento da máscara social, da “persona”, e constrói, dessa forma, o caminho para o sujeito. O primeiro foi seu pai: florista, bicho de pelúcia, broche de ametista. O segundo seu irmão: vasculhava sua gaveta, a chamava de perdida O terceiro seu amante: se deitou em minha cama, me chama de mulher. Completa aqui o círculo do amadurecimento afetivo e sexual da mulher.

www.stellabortoni.com.br/.../f204Artigo_sobre_intertextualidade.

Ao trabalhar esse texto com alunos da EJA, percebemos o quanto os alunos ficaram entusiasmados e o quanto a aula foi efetiva e proveitosa. Os alunos, mesmo em um estágio de maturidade prematuro em leitura, conseguiram entender, apreciar e fazer inferência relacional com o cotidiano. Nesse perspectiva, a escola, ou seja, os professores precisam buscar metodologias que façam com que os alunos possam dominar o universo da leitura através de ferramentas que possibilitem a comunicação entre alunos e os diferentes tipos de produções textuais (gêneros textuais). A TP 4 enfatiza que quando trabalhamos a leitura e escrita a partir dessa perspectiva, em buscas de questões culturais e o conhecimento empírico de cada aluno, resultando na efetiva e produtiva leitura de mundo à conceber conhecimentos.

Por: Prof.Edinaldo Flauzino de Matos


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