sábado, 27 de fevereiro de 2010

Leitura e interpretação de Gato gato gato de Otto Lara Resende

Ler e interpretar um texto de "Otto Lara Resende" Não é tarefa fácil, seria o mesmo que caminhar em cacos de vidro,no entanto, se essa leitura for feita com a habilidade de um gato teremos aí, êxito na tarefa. Diante de um fragmento do conto "Gato gato gato" o aluno terá que exercitar a paciência e pensar sobre o que está sendo apresentado, as imagens se tornarão concretas na medida em que consiga refletir sobre o que está lendo. O conhecimento prévio constituído por todos os nossos saberes, incluindo valores é elemento primordial e decisivo na interpretação do texto.Ativar tal conhecimento ajuda-o a compreender a dimensão dessa escrita. Agora como já disse em outra postagem, ao optar por uma alternativa, temos que de forma coloquial e figurada (perguntar ao texto: Você está dizendo isso?), Podemos dizer que o conto em apreciação tem (síntaxe tortuosa) consequentemente, podemos cometer imperdoáveis enganos.
O escritor Hélio Pólvora atenta para o fato de que:
“Gato Gato Gato”, que ele e Cyro de Mattos selecionaram para uma antologia de contos de bichos, era o seu preferido em O Elo Partido. Mostra o poder que tem o Otto de transformar uma cena banal — um gato sobre um muro espetado de cacos de vidro — num instante de rara introspecção em que ele é um transfigurador, um surrealista. Este conto, além de apontar outra “visão” do autor, que é a crueldade infantil (nas histórias de Otto, há crianças corrompidas e perversas, sem aquela ternura e sentimentalismo que nos habituamos a atribuir ao mundo infantil), têm um teor sobrenatural à Kafka (quase um apólogo) e ao mesmo tempo uma algidez típica da prosa orquestral de Thomas Mann. No conto sobre um gambá perseguido a pedradas e pauladas, ressalta a antítese inocência- perversidade.www.jornaldecontos.com/ensaios_elopartido.htm



Gato gato gato
Otto Lara Resende
Familiar aos cacos de vidro inofensivos, o gato caminhava molengamente por cima do muro. O menino ia erguer-se, apanhar um graveto, respirar o hálito fresco do porão. Sua úmida penumbra. Mas a presença do gato. O gato, que parou indeciso, o rabo na pachorra de uma quase interrogação.
Luminoso sol a pino e o imenso céu azul, calado, sobre o quintal. O menino pactuando com a mudez de tudo em torno — árvores, bichos, coisas. Captando o inarticulado segredo das coisas. Inventando um ser sozinho, na tontura de imaginações espontâneas como um gás que se desprende.
Em cima do muro, o gato recebeu o aviso da presença do menino. Ondulou de mansinho alguns passos denunciados apenas na branda alavanca das ancas. Passos irreais, em cima do muro eriçado de cacos de vidro. E o menino songamonga, quietinho, conspirando no quintal, acomodado com o silêncio de todas as coisas. No se olharem, o menino suspendeu a respiração, ameaçando de asfixia tudo que em torno dele com ele respirava, num só sistema pulmonar. O translúcido manto de calma sobre o claustro dos quintais. O coração do menino batendo baixinho. O gato olhando o menino vegetalmente nascendo do chão, como árvore desarmada e inofensiva. A insciência, a inocência dos vegetais.



01- O texto nos mostra que:
a) O gato estava perdido;
b) O menino era muito extrovertido;
c) O encontro entre o menino e o gato surpreendeu a ambos;
d) O menino estava irritado porque ninguém falava com ele;
e) A presença do menino afugentou o gato.


02- Desse fragmento é possível afirmar que:
a) O menino investigava o mundo ao seu redor;
b) O menino era agitado e barulhento;
c) O menino era distraído e dispersivo;
d) O gato estava faminto;
e) O gato dirigia-se a um objetivo claro.



03- No primeiro parágrafo do texto a palavra (familiar) indica:
a) O gato pertencia à família;
b) O gato costumava andar sobre o muro;
c) o gato se apressava em sair de cima do muro;
d) Os cacos de vidro assustavam o gato;
e) O gato não percebia o perigo em caminhar sobre o muro.



04- Quanto ao menino, o texto nos sugere ainda que:
a) ele ia apanhar um graveto para mexer com o gato;
b) ele ia procurar o calor do porão;
c) ele estava deitado no seu quarto quando viu o gato;
d) O calor do meio dia inspirava-o a sair do quintal;
e) O corpo do gato impedia-o de entrar no porão.


05- Observe a sequência das frases: “Mas a presença do gato. O gato que parou...” a repetição da palavra gato sugere um sentimento de:
a) desinteresse;
b) temor ;
c) desprezo;
d) inveja;
e) interesse.


06- Nesse texto: Gato gato gato, predominam sensações de:
a) movimento e calma;
b) agitação e silêncio;
c) frescor e sonoridade;
d) silêncio e tranquilidade;
e) luminosidade e movimento.


07- A frase: “Luminoso sol a pino e o imenso céu azul” quer dizer que era:
a) 6 h da tarde;
b) 6 h da manhã;
c) 9 h 30 m;
d) meio dia e meia,
e) 12 h ,ou seja, meio dia.


08- Baseado no texto: O menino parecia songamonga, qual alternativa não corresponde ao fato:
a) porque estava com o coração batendo baixinho;
b) porque o gato viu ele nascer vegetalmente do chão;
c) porque estava conspirando no quintal, acomodado com o silêncio de todas as coisas;
d) porque ameaçava de asfixia tudo em torno dele.
e) porque o menino fazia palhaçadas no quintal.

3 comentários:

  1. Olá, Esse texto é muito bom!! Voce trabalha com seu alunos??

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  2. Humm prof pq vc não colocou mais fotos do 7ºD..
    que queria que vc colocase a quela minha muito linda.coloca ela dai depois eu pego..bjss não se esqueca EU TE AMO..

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  3. Olá, você poderia me passar ou postar o gabarito das questões?

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