sábado, 27 de fevereiro de 2010

Leitura e interpretação de Gato gato gato de Otto Lara Resende

Ler e interpretar um texto de "Otto Lara Resende" Não é tarefa fácil, seria o mesmo que caminhar em cacos de vidro,no entanto, se essa leitura for feita com a habilidade de um gato teremos aí, êxito na tarefa. Diante de um fragmento do conto "Gato gato gato" o aluno terá que exercitar a paciência e pensar sobre o que está sendo apresentado, as imagens se tornarão concretas na medida em que consiga refletir sobre o que está lendo. O conhecimento prévio constituído por todos os nossos saberes, incluindo valores é elemento primordial e decisivo na interpretação do texto.Ativar tal conhecimento ajuda-o a compreender a dimensão dessa escrita. Agora como já disse em outra postagem, ao optar por uma alternativa, temos que de forma coloquial e figurada (perguntar ao texto: Você está dizendo isso?), Podemos dizer que o conto em apreciação tem (síntaxe tortuosa) consequentemente, podemos cometer imperdoáveis enganos.
O escritor Hélio Pólvora atenta para o fato de que:
“Gato Gato Gato”, que ele e Cyro de Mattos selecionaram para uma antologia de contos de bichos, era o seu preferido em O Elo Partido. Mostra o poder que tem o Otto de transformar uma cena banal — um gato sobre um muro espetado de cacos de vidro — num instante de rara introspecção em que ele é um transfigurador, um surrealista. Este conto, além de apontar outra “visão” do autor, que é a crueldade infantil (nas histórias de Otto, há crianças corrompidas e perversas, sem aquela ternura e sentimentalismo que nos habituamos a atribuir ao mundo infantil), têm um teor sobrenatural à Kafka (quase um apólogo) e ao mesmo tempo uma algidez típica da prosa orquestral de Thomas Mann. No conto sobre um gambá perseguido a pedradas e pauladas, ressalta a antítese inocência- perversidade.www.jornaldecontos.com/ensaios_elopartido.htm



Gato gato gato
Otto Lara Resende
Familiar aos cacos de vidro inofensivos, o gato caminhava molengamente por cima do muro. O menino ia erguer-se, apanhar um graveto, respirar o hálito fresco do porão. Sua úmida penumbra. Mas a presença do gato. O gato, que parou indeciso, o rabo na pachorra de uma quase interrogação.
Luminoso sol a pino e o imenso céu azul, calado, sobre o quintal. O menino pactuando com a mudez de tudo em torno — árvores, bichos, coisas. Captando o inarticulado segredo das coisas. Inventando um ser sozinho, na tontura de imaginações espontâneas como um gás que se desprende.
Em cima do muro, o gato recebeu o aviso da presença do menino. Ondulou de mansinho alguns passos denunciados apenas na branda alavanca das ancas. Passos irreais, em cima do muro eriçado de cacos de vidro. E o menino songamonga, quietinho, conspirando no quintal, acomodado com o silêncio de todas as coisas. No se olharem, o menino suspendeu a respiração, ameaçando de asfixia tudo que em torno dele com ele respirava, num só sistema pulmonar. O translúcido manto de calma sobre o claustro dos quintais. O coração do menino batendo baixinho. O gato olhando o menino vegetalmente nascendo do chão, como árvore desarmada e inofensiva. A insciência, a inocência dos vegetais.



01- O texto nos mostra que:
a) O gato estava perdido;
b) O menino era muito extrovertido;
c) O encontro entre o menino e o gato surpreendeu a ambos;
d) O menino estava irritado porque ninguém falava com ele;
e) A presença do menino afugentou o gato.


02- Desse fragmento é possível afirmar que:
a) O menino investigava o mundo ao seu redor;
b) O menino era agitado e barulhento;
c) O menino era distraído e dispersivo;
d) O gato estava faminto;
e) O gato dirigia-se a um objetivo claro.



03- No primeiro parágrafo do texto a palavra (familiar) indica:
a) O gato pertencia à família;
b) O gato costumava andar sobre o muro;
c) o gato se apressava em sair de cima do muro;
d) Os cacos de vidro assustavam o gato;
e) O gato não percebia o perigo em caminhar sobre o muro.



04- Quanto ao menino, o texto nos sugere ainda que:
a) ele ia apanhar um graveto para mexer com o gato;
b) ele ia procurar o calor do porão;
c) ele estava deitado no seu quarto quando viu o gato;
d) O calor do meio dia inspirava-o a sair do quintal;
e) O corpo do gato impedia-o de entrar no porão.


05- Observe a sequência das frases: “Mas a presença do gato. O gato que parou...” a repetição da palavra gato sugere um sentimento de:
a) desinteresse;
b) temor ;
c) desprezo;
d) inveja;
e) interesse.


06- Nesse texto: Gato gato gato, predominam sensações de:
a) movimento e calma;
b) agitação e silêncio;
c) frescor e sonoridade;
d) silêncio e tranquilidade;
e) luminosidade e movimento.


07- A frase: “Luminoso sol a pino e o imenso céu azul” quer dizer que era:
a) 6 h da tarde;
b) 6 h da manhã;
c) 9 h 30 m;
d) meio dia e meia,
e) 12 h ,ou seja, meio dia.


08- Baseado no texto: O menino parecia songamonga, qual alternativa não corresponde ao fato:
a) porque estava com o coração batendo baixinho;
b) porque o gato viu ele nascer vegetalmente do chão;
c) porque estava conspirando no quintal, acomodado com o silêncio de todas as coisas;
d) porque ameaçava de asfixia tudo em torno dele.
e) porque o menino fazia palhaçadas no quintal.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O que está nas entrelinhas: Uma leitura do conto "Amor" de Clarice Lispector

A leitura de um texto de Clarice Lispector, a primeira vista parece complicado, no entanto, não trabalhar Clarice em sala de aula é o mesmo que negar ao aluno o que tem de melhor na literatura brasileira. O leitor diante de um texto Lispectoriano precisa de atenção, audácia e treino, portanto, não se pode ficar na superfície do que está escrito.Quando se trata de Língua e linguagem como nossa própria existência de seres humanos e racionais somos moldados pela capacidade de agir pela pela linguagem.Visto nessa perspectiva o texto de Clarice estabelece uma interação com o leitor e essa linguagem é um processo em movimento entre leitor e a recepção que ele faz do texto.
Ao planejar uma aula o professor pode propor aos alunos no mínimo três leituras efetivas do texto antes de tentar responder qualquer questão, a terceira leitura é aquela em que o professor em sala terá que levá-los a dialogar com texto. Um fragmento de um conto de Clarice pode em sua construção sintática e literária, fazê-los com que esse leitor possa através do texto atribuir infinitas possibilidades. Exemplo disso, se atemo-nos ao trecho: "tomavam banho", basta pensarmos nas possibilidades: as crianças tomavam banho onde e como? Pode ser no banheiro, na torneira do quintal, na bacia, na banheira, na chuva,no rio, na piscina, no tanque.É só levarmos em consideração que criança na sua maioria adora brincar com água.A cada releitura de Clarice pode-se ter uma nova descoberta. Porém, quando se propõe uma interpretação temos que lembrar aos alunos que mesmo que consigamos possibilidades diversas no texto, para interpretá-los temos que perguntar ao texto. O texto diz isso? A leitura do texto propõe isso, se for absurdamente fora do contexto do enunciado não há coerência, corre-se o risco de fazermos relação com nossa história de vida e cairmos no pecado da falsa interpretação, o texto por si só responde as questões.
O próprio aluno pode ser incentivado a fazer as correções do texto para entender junto aos outros colegas o processo de inferência de leitura e como chegaram as respostas, claro que o professor tem que ser nesse momento o mediador dessa leitura e correção. Quando o facilitador leva os textos e faz a correção em particular não há para o aluno efetivo aprendizado pois ele não entenderá em seu processo de leitura do texto que o levou ao equívoco do absurdo em sua interpretação.
A aula executada da forma que foi proposta pode até torná-la diferente e divertida, a adrenalina em que ficam os alunos diante das possíveis respostas pode fazer a diferença e fugir das práticas rotineiras.


Professor: Edinaldo Flauzino de Matos



TEXTO: Amor
Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte. Como um lavrador. Ela plantara as sementes que tinha na mão, não outras, mas essas apenas. E cresciam árvores. Crescia sua rápida conversa com o cobrador de luz, crescia a água enchendo o tanque, cresciam os filhos, crescia a mesa com comidas, o marido chegando com os jornais e sorrindo de fome, o canto importuno das empregadas do edifício. Ana dava a tudo, tranqüilamente, a sua mão pequena e forte, sua corrente de vida.
Certa hora da tarde era mais perigosa. Certa hora da tarde as árvores que plantara riam dela. Quando nada mais precisava de sua força, inquietava-se. No entanto sentia-se mais sólida do que nunca, seu corpo engrossara um pouco e era de se ver o modo como cortava blusas para os meninos, a grande tesoura dando estalidos na fazenda. Todo seu desejo vagamente artístico encaminhara-se há muito no sentido de tornar os dias realizados e belos; com o tempo, seu gosto pelo decorativo se desenvolvera e suplantara a íntima desordem. Parecia ter descoberto que tudo era passível de aperfeiçoamento, a cada coisa se emprestaria uma aparência harmoniosa; a vida podia ser feita pela mão do homem. [...]
Sua precaução reduzia-se a tomar cuidado na hora perigosa da tarde, quando a casa estava vazia sem precisar mais dela, o sol alto, cada membro da família distribuído nas suas funções. Olhando os móveis limpos, seu coração se apertava um pouco em espanto. Mas na sua vida não havia lugar para que sentisse ternura pelo seu espanto – ela o abafava com a mesma habilidade que as lides em casa lhe haviam transmitido. Saía então para fazer compras ou levar objetos para consertar, cuidando do lar e da família à revelia deles. Quando voltasse era o fim da tarde e as crianças vindas do colégio exigiam-na. Assim chegaria a noite, com tranqüila vibração. De manhã acordaria aureolada pelos calmos deveres. Encontrava os móveis de novo empoeirados e sujos, como se voltassem arrependidos. Quanto a ela mesma, fazia obscuramente parte das raízes negras e suaves do mundo. E alimentava anonimamente a vida. Estava bom assim. Assim ela o quisera e escolhera.
(LISPECTOR, Clarice/Laços de família)

01) No texto “Amor”, no primeiro parágrafo, um pouco do dia-a-dia de uma família é relatado. Assinale a seguir o trecho que mostra a dinâmica da vida:
A) “Os filhos de Ana eram bons,...”.
B) “Cresciam, tomavam banho,...”.
C) “A cozinha era enfim espaçosa,...”.
D) “O calor era forte no apartamento,...”.
E) “Como um lavrador,...”.

02) Ao dizer que Ana olhava o calmo horizonte como um lavrador, é adequado dizer que há a ocorrência de uma:
A) Comparação.
B) Contradição.
C) Oposição.
D) invenção.
E) Mudança.

03) São atribuídas à mão de Ana, qualificações aparentemente opostas: “pequena e forte”. Tais qualificações demonstram:
A) A fragilidade de Ana.
B) Que a personagem não possuía uma força surpreendente diante de quaisquer situações.
C) O entusiasmo de Ana para com a sua família.
D) Que apesar da sua “limitação” demonstrava força diante das variadas situações diárias.
E) Que mesmo tendo uma estatura física comprometida “dava conta” das atividades domésticas.

04) “Certa hora da tarde era mais perigosa”. Qual é o perigo existente de que trata o trecho destacado?
A) A violência da cidade grande.
B) O medo que ela sentia da noite.
C) O perigo de acontecer algum acidente com os filhos no horário da escola.
D) O perigo de acontecer algum acidente com o marido no horário do trabalho.
E) Sentir-se sem utilidade para aquela família.

05) Após a leitura do texto, em relação ao relacionamento familiar pode-se concluir que:
A) É preferível isolar-se e viver em solidão.
B) Apesar de alguns conflitos é preferível relacionar-se com as pessoas.
C) A convivência familiar é muitas vezes insuportável.
D) Na convivência familiar não existem conflitos.
E) Os momentos de decepção são mais freqüentes que os de harmonia.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Lição de casa 5

GESTAR II – LÍNGUA PORTUGUESA – VILHENA - RO

Lição de casa 5

A aula foi planejada a partir da música “Baião”.
• Apresentamos a música aos alunos;
• Fizemos uma breve observação dos elementos de composição;
• Propomos aos alunos que respondessem as questões abaixo.

A partir desses passos, considerando o conhecimento prévio, a cultura local, a regional, propomos aos alunos que: baseado na letra desta música. produzissem a sua versão em forma de poesia, ou prosa (fala); diálogos; hap, poesia de cordel ou usando o mesmo ritmo da música acima. Escolhendo um dos temas abaixo sobre:
• Expovil;
• Escola Ivete Brustolin;
• Como tirar Dez nas provas;
• Como conquistar alguém;
• Como jogar futebol,
• Meio ambiente.

ESCOLA MUNICIPAL DE ENSINO FUNDAMENTAL IVETE BRUSTOLIN
ALUNO(A)_____________________________________________________________
SÉRIE_________TURMA_________
Baião
“Eu vou mostrar pra vocês
Como se dança o baião
E quem quiser aprender
É favor prestar atenção
Morena chegue pra cá
Bem junto ao meu coração

Agora é só me seguir
Pois eu vou dançar o baião
Eu já dancei balanceio
Chamego, samba e xerém
Mas o baião tem um quê
Que as outras danças não têm
Quem quiser é só dizer
Pois eu com satisfação

Eu já dancei no Pará
Toquei sanfona em Belém
Cantei lá no Ceará
E sei o que me convém
Por isso quero afirmar
Com toda convicção
Que sou louco pelo baião”
( Luis Gonzaga e Humberto Teixeira)

(1) De que assunto trata a música?

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(2) Quais as características desse texto?

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(3) Que outros ritmos são mencionados no texto?



Aula x resultados
Edinaldo Flauzino de Matos


A atividade de leitura e escrita, exceto os casos raros que sempre ocorrem, foi bem explorada pelos alunos de forma tranquila e até empolgante. Considerando que se trata de atividades que envolvem de forma espontânea a leitura e a escrita, atividades essas que promovem as situações comunicativas, porém contextualizada com a cultura local. O texto usado nessa aula a música “Baião” de Luiz Gonzaga como base deu parâmetros e facilitou a compreensão sociocomunicativa dos alunos e facilitou a produção dos textos.
Como é sabido, os conhecimentos se constroem com relação a nossa experiência cotidiana e que produzir um texto fica mais fácil quando se tem um ponto de partida possibilita planejar uma aula prazerosa desde que partimos de temas conhecidos para ajudar no desenvolvimento do conhecimento sobre o tema a ser tratado na produção da escrita.


Lição de casa 4

LIÇÃO DE CASA 4


Edinaldo Flauzino de Matos


Iniciamos o trabalho propondo aos alunos que observassem os tipos de textos que circulavam em vários estabelecimentos e que fizessem fotos, anotações e trouxessem para a escola para fazermos um levantamento e apresentamos a idéia de como funciona e para quem o texto focaliza, ou seja, que tipo de leitor. Então escolhemos como pontos de pesquisa: O Mercado Avenida, A Escola Ivete Brustolin, Postos de saúde, Centro da juventude, e Algumas igrejas. No entanto, por uma questão de tempo, e por falta de câmeras fotográfica a sala optou em pesquisar apenas o item igrejas. Não definimos grupos uma vez que alunos de uma determinada religião iriam se juntar para discutir e responder algumas questões relacionadas às suas igrejas.
O interessante é que mesmo os alunos não haviam percebido quão iguais e ao mesmo tempo contraditórios são os textos e a forma de linguagem usadas pelas igrejas. Podemos concluir na pesquisa que quase todos as igrejas tratam a palavra celebração, ou seja, o momento que a irmandade se reúnem para celebração como “Culto”,são raras as denominações que tratam com reuniões.
No quesito hierarquia religiosa (líderes) apenas a igreja católica e Metodistas tratam seu líder maioral de “Bispo”. Para os outros é um tratamento totalmente desconhecido.
As saudações entre as pessoas variam de denominação à outra: Há “Paz de Cristo”, “Paz do senhor”, “A graça e paz”!
As modalidades de ensino de ensino variam entre: catequese, escola dominical,.
Batismo: A maioria das igrejas só batiza adultos, exceto as igreja Católica e as Metodistas. Esse batismo pela maioria ocorre nas águas. São poucas que optam pelo pela Bacia batismal.

Lição de casa 3

Lição de casa 3

O avançando na prática, fizemos a proposta com os alunos sobre o exercício de transposição de gêneros textuais (intertextualidade entre gêneros) e esclarecemos o conceito e sugerimos algumas sugestões para essa atividade de produção textual;
A) Receita para um mundo melhor;
B) O /A namorado/a dos meus sonhos;

Os alunos ficaram muito empolgados e propuseram fazer a transposição da oração do Pai-nosso e outros. Ao desenvolver as atividades os alunos identificaram facilmente a estrutura da receita e os textos que assemelham à uma receita culinária. Logo os alunos deduziram que não podemos classificá-lo como receita por tratar de uma semelhança entre os gêneros. A flexibilidade desse textos fazem com que o efeito anedota ou poética e etc. com o intuito de buscar objetivos sociocomunicativos diferentes. É claro que alguns alunos viajaram e saíram um pouco fora do objetivo proposto. Porém a maioria conseguiu produzir algo dentro de suas possibilidades.

Lição de casa 2

Lição de casa 2


RELATO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS EM SALA DE AULA


Na atividade em que foi trabalhada com os alunos, apresentamos a eles, alunos de 6º ano, a letra da música de Chico Buarque: “O meu guri”. Primeiramente fizemos a escrita da música na lousa e propomos aos alunos que copiassem no caderno, estratégia essa usada com o intuito de evitar gastos de folhas impressas para tantos alunos e contar com a letra da música para possíveis levantamentos de sobre a produção de poesia e análise interpretativa.
Após a reescrita da letra da música no caderno, usamos de uma linguagem bem clara, fizemos a possível interpretação do texto, sua temática, ou seja, o assunto abordado. Também apresentamos o autor e cantor Chico Buarque até então desconhecido pelos alunos. Então observamos a fala, a forma de expressar da eu – lírica, aspectos na construção da música: as rimas alternadas e emparelhadas, as estrofes, a sonoridade, a construção dos sentidos. Depois fizemos uma comparação de como seria notícia veiculada em jornais da cidade. Em seguida propomos aos alunos que fizessem uma leitura silenciosa da música e a representassem através de desenhos.


A música de Chico Buarque X Recurso didático em sala de aula

A proposta da pesquisa foi trabalhar a música de Chico Buarque. Então, parte-se do príncipio que nem toda letra de música é poesia. Mas quase todas as letras desse cantor podem ser consideradas excelentes poemas. Ana Maria Machado sublinha que: “ele é um poeta de obra variada, com um lirismo muito característico e extremamente brasileiro” (2001, p.15) Apesar da musicalidade há que considerar que Chico Buarque era um engajado na chamada música de protesto. Para Machado:
Mas a delicadeza dos sentimentos que é capaz de evocar em seus versos não exclui uma boa dose de humor e ironia uma incisiva capacidade de criticar o que considerava errado – como fez com muita força durante a ditadura militar brasileira, quando teve várias músicas censuradas e proibidas pelo governo.(2001, p.15)
Selecionamos a música: O meu Guri, Vale ressaltar que são inúmeras as músicas desse artista que pode ser trabalhada. E também como já citado são inúmeros os artistas que produziram nesta época e que suas músicas quase se tornaram hinos de exaltação ou lembranças do período ditatorial.



O meu guri

Chico Buarque/1981

Quando, seu moço, nasceu meu rebento
Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
E eu não tinha nem nome pra lhe dar
Como fui levando, não sei lhe explicar
Fui assim levando ele a me levar
E na sua meninice ele um dia me disse
Que chegava lá
Olha aí
Olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega suado e veloz do batente
E traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço
Que haja pescoço pra enfiar
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro
Chave, caderneta, terço e patuá
Um lenço e uma penca de documentos
Pra finalmente eu me identificar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega no morro com o carregamento
Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar cá no alto
Essa onda de assaltos tá um horror
Eu consolo ele, ele me consola
Boto ele no colo pra ele me ninar
De repente acordo, olho pro lado
E o danado já foi trabalhar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega estampado, manchete, retrato
Com venda nos olhos, legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente, seu moço
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato, acho que tá rindo
Acho que tá lindo de papo pro ar
Desde o começo, eu não disse, seu moço
Ele disse que chegava lá
Olha aí, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri


O Meu Guri (1981). Esse texto lido por um leitor atento às anáforas possibilitará formar imagens que lembrem um filme real, a linguagem quase cinematográfica, como se fosse uma sucessão de fotografias em movimento. Essa é uma canção patético-caótica na qual também é tratado o social. Fala do menino de rua, da mulher e das oportunidades que o sistema proporciona a todos de maneira desigual. E o descaso das autoridades competentes sobre o assunto. Com essa música podemos perceber em Chico Buarque a sua preocupação com a exclusão social e com a maneira que expõe seus pensamentos através da sua linguagem e do tempo. Ele é capaz de mostrar a realidade em que vivemos e o descaso que a maioria sofre, seja qual o período que nos encontramos.
Essa é uma música protagonizada pela mãe de um marginal, favelado do morro, que desconhece a condição e a real natureza do “batente” de seu filho. Vivendo num mundo de ingenuidade, a mãe ignora a tudo, um nome, seu modo de ganhar a vida, inclusive a morte do menor infrator que é notícia no jornal. Nessa canção, Chico mostra o desamparo feminino e, paradoxalmente, a procura em proteger o filho, quando não quer enxergar seus furtos e ainda reza por ele devido à “onda de assalto”.
A mãe é uma analfabeta que não consegue, sequer, ler a legenda do noticiário da morte do filho, que é assassinado pela polícia devido a uma força exercida pela opressão socioeconômica. Acaba deixando-a numa situação patético devido à alienação que age de maneira profunda na classe da qual advém: a pobre. Classe essa que produz em massa, marginais devido às necessidades que o próprio sistema deveria suprir, mas não consegue.
O que pode perceber nessa canção é a falta de estrutura que o sistema proporciona às pessoas em geral, principalmente àqueles que são mais desprovidos socioeconomicamente, gerando o analfabetismo, os assaltos, as mortes.
Essa canção apresenta variações lingüísticas, ex.: a palavra “guri”, e marcas de oralidade, ex.: “ta rindo, papo pro ar”, e também temos as anáforas, na qual os dêiticos indicam a preocupação da personagem lírica em sentir incluída, ter uma história, a preocupação em ter um nome, já que nem a mãe e nem o filho tinham nome. A construção referencial do texto mostra uma personagem lírica equivocada com os referenciais. Ela não era ignorante no sentido mal, apenas a anáforas sociais, se é que podemos chamá-las assim, a falta de cultura, num sentido exagerado fazia com que tivesse tão dúbia interpretação dos fatos.

Lição de casa 1

Lição de casa 1

Relato das atividades desenvolvidas em sala de aula
Prof. Edinaldo Flauzino de Matos

Após a leitura sobre “O conhecimento intuitivo de gêneros” Levamos à sala de aula essas modalidades de textos para serem identificados pelos alunos, sendo eles alunos do 9º ano. Esclarecemos que a atividade seria o início de uma proposta de trabalho. Como sempre surgem os desmancha-prazeres, uma aluna sempre de mal-humor disse: lá vem porcaria, e trabalho e cobrança! Questionamos tal atitude, já que ela não sabia o que seria proposto. A aluna argumentou que odiava a escola e tudo relacionado à escola e que estava ali por que era obrigada. Sem perder a postura disse à aluna que era uma grande oportunidade pra ela falar sobre sua história de vida e de suas frustrações com relação à vida e a escola. E quem sabe alcançar média no primeiro bimestre, pois a média dela estava em baixa.
Logo propomos aos alunos a leitura de biografias diversificadas – entre elas Carlos Drumonnd de Andrade, Monteiro Lobato, Lygia Fagundes Teles, Machado de Assis, Airton Sena, Lima Duarte, Pelé e outros. Propomos aos alunos que lessem e observassem aspectos de uma biografia tendo em vista que iriam produzirem também uma biografia.
Propomos que os alunos poderiam fazer a sua própria biografia, claro como sugerida, em terceira pessoa, porém deixamos em aberto que o aluno que quisesse fazer a biografia de alguém que considerasse relevante que escolhesse um grupo de colegas e a fizessem. A proposta de início foi aceita pela maioria dos alunos que empolgados começaram a articular formas de saírem em campo pesquisando a vida de alguém. Outros decidiram permanecerem em sala e fazerem sua própria biografia, claro entre eles a aluna toda entusiasmada em escrever sua própria biografia, falava alto e me consultava o tempo todo. Questionei o entusiasmo da aluna que argumentou que “Quando o assunto é interessante vale a pena participar e fazer”.
Vencido o prazo de três dias os alunos entregaram suas biografias e outros. Ao ler pudemos notar que são histórias variadas: algumas de crianças muito bem amadas e aceitas, outros com traumas e tragédias.
Como profissional foi uma oportunidade de conhecer melhor meus alunos e até rever conceitos e notas, uma vez avaliação é contínua e não priorizamos apenas o conteúdo. O complicado está sendo escolher três biografias para amostra, mesmo salientando que algumas não tem o mínimo de cuidado ortográfico e zelo. Entretanto, cada uma em particular nos parece tão relevante.
Outro aspecto positivo foi a oportunidade de falar sobre esse trabalho com outros colegas da própria escola e entender determinadas situações ocorridas em sala. Levando em consideração a carga horária de aulas que prioriza o cumprimenta da carga horária e os conteúdos. E assim, dificulta a aproximação com nossos alunos no sentido de conhecê-los melhor, e até compreendê-los em suas atitudes.

As oficinas

AS OFICINAS
AVANÇANDO NA PRÁTICA X RESULTADO
Prof. Edinaldo Flauzino de Matos
É necessário frisar que as oficinas em que foi trabalhada: A primeira com as turmas de 9° ano sobre biografias em terceira pessoa e na segunda: a música “O meu guri” de Chico Buarque e na terceira realizada com os 9º anos sobre a tranposição de gêneros textuais com receitas e outros. Através dessas oficinas, mesmo enfrentando dificuldades oriundos da falta de material e o execesso de alunos em sala, a carga horária sobrecarregando-nos, o cumprimento dos contéudos planejados anualmente. Mesmo assim podemos fazer com que os nossos alunos se motivassem mais para o estudo e a produção de texto, tartefa tão necessária e difícil de promovê-la, uma vez que é cultural, nossos alunos lerem pouco, e aliado a isso produzirem textos muitas vezes recheados de erros gramaticais e sintaticamente mal elaborados. As oficinas, uma vez planejadas, se tornaram parte do conteúdo e foram desenvolvidas e contrariando muitas vezes um possível fracasso teve momentos de realização com aspectos positivos.
É evidente que diante de produção tivemos a triste conclusão que alunos estão totalmente defasados com relação ao nível e série, basta salientar que a maioria tem problemas ao escrever, organizar textos, ler e interpretar. Os erros ortográficos estrapolam o aceitável, a falta de conexão entre as orações correspondem ao assustador nível educacional d enossas escolas.
No entanto, ao realizar esse trabalho, concluímos que com umas simples oficinas conseguimos desenvolver nos alunos as suas competências comunicativas lingüísticas, artísticas e históricas. A experiência interdisciplinar deu um novo significado ao nosso trabalho. Ao incluir atividades do gestar com ênfase em ensinar com a linguagem textual, as buscas pela produção abriram espaço para reflexão, possibilitando maior envolvimento dos alunos. E assim a produção e a leitura dessas cumpriram sua função social. Tendo em vista que aos alunos, a metodologia usada trouxe resultados positivos, proporcionou-lhes tratar de questões referenciais que fez eclodir habilidades de observação, dedução, julgamento, tais habilidades tão diretamente ligadas às outras disciplinas.